Os dias cinzas



Em certos momentos da vida da gente, paramos para fazer um pequeno balaço. O que poderia ser algo bom, mas de acordo com o meu último balanço, algo de errado não está certo. Infelizmente, as coisas que coloquei em xeque, na hora de avaliar, me deixaram com muitas preocupações, medos, inseguranças, enfim, um turbilhão de emoções.
E o subconsciente que habita em cada um de nós é muito traiçoeiro, vive nos pregando peças. É sempre bom fazer um balanço, assim podemos ver o que podemos continuar carregando em nossas vidas, e o que vai ser melhor deixar para trás, ou, deixar o vento levar.
Eu lembro de ter julgado um dia uma pessoa que me disse que o inverno é uma estação triste, com dias de cor cinza, sem vida, e até respondi que a cor aos dias que dá somos nós, de fato sim, mas aí é que caí na minha própria frase, quando eu senti os sentimentos do inverno e da vida adolescente, pré-adulta, com responsabilidades e prazos, e contas, e solidão (apesar de estar rodeada de pessoas, literalmente todos os dias). Passei pelos dias mais confusos da minha vida até então, até que pedi ajuda, tive que conversar sobre o assunto, com pessoas próximas e que me acalmaram. Eu sentia saudade de ver minha casa na luz do dia, pois saia de casa quando era escuro de manhã cedo, e quando voltava já era escuro de novo.


Hoje, eu estava sozinha e casa, não tinha ninguém para conversar, ninguém. E senti um pouco de medo, pois lembrei do inverno passado, e tive medo dele se repetir, os sentimentos do inverno são de verdade, apesar de que quem faz o dia ser bom ou ruim somos nós mesmos. Mas fingir estar bem todos os dias cansa, e desgasta.
Já que eu não tenho televisão (por vontade própria), assisto muitos vídeos no youtube, enquanto faço minhas poucas e fartas refeições, e em um desses vídeos eu ouvi uma frase que fez muito sentido, e sempre vai fazer, não vou transcrever ela da mesma forma como foi falada, mas vou dizer como eu absorvi, ‘...o ser humano vive em uma eterna encenação de personagens, que atuam e fingem estar bem o tempo todo, e quando estão sozinhos choram, pois tem vergonha de demonstra fraqueza na frente dos outros...’ se não for uma das coisas mais reais que eu ouvi esse ano eu não sei o que é. Eu mesma faço isso, nem sempre choro, mas sim, não gosto de demonstrar fraqueza, nem de demostrar sentimentos “bobos” na frente de ninguém. Egoísmo de minha parte, pois grande parte do que me faz ficar triste poderia ser resolvido com a conversa. Mas eu não me sinto bem sendo transparente com as pessoas, sinto que quando faço isso saio da minha zona de conforto, e fico à deriva, não me sinto segura.


Escrever dessa forma é algo terapêutico para mim, pode ser que eu não escreva bem, ou não seja clara no que eu tento transcrever, porém, quando escrevo, é como se o fardo que eu crio em mim mesma com o passar dos dias sumisse, eu deixo ele nas entrelinhas do texto, sinto prazer escrevendo algo que sai naturalmente, não algo que sou forçada a escrever, como por exemplo uma “revisão literária” (tom irônico que só é entendido por mim).
Sempre escrevi, escrevia muito, muito mesmo, fazia poemas, diários, e quando parei, por falta de tempo ou de organização, senti falta desse diálogo comigo mesma, por isso resolvi criar o blog, para compartilhar das minhas palavras e vivências com qualquer pessoa que estiver disposta a me dar um pouco de tempo e atenção, muito obrigada por ler até aqui e até as próximas linhas.

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